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Saúde mental no trabalho: o que o RH precisa fazer além do discurso

Saúde mental no trabalho

Índice de conteúdo

Em 2025, o Brasil registrou 534.904 afastamentos por transtornos mentais, o maior número da série histórica e o quinto recorde consecutivo. Ansiedade e depressão lideram as causas. O custo em benefícios pagos pelo INSS superou R$ 3,5 bilhões.

Esses números não são abstratos. Cada afastamento representa uma cadeira vazia, uma equipe que precisou redistribuir carga, um gestor que não soube identificar os sinais antes que virassem problema clínico.

A questão não é mais se saúde mental é responsabilidade do RH. Com a atualização da NR-1, que passou a exigir a avaliação e gestão de riscos psicossociais desde maio de 2025, é também obrigação legal. A questão é o que fazer de concreto, além de palestras de setembro amarelo e campanhas internas que não mudam a rotina de ninguém.

 

O que está causando o adoecimento

Três fatores se repetem nos estudos sobre causas de adoecimento mental no trabalho:

  • Sobrecarga e falta de controle: colaboradores com volume de trabalho acima da capacidade sem clareza de prioridades e sem autonomia para gerenciar o próprio tempo desenvolvem quadros de ansiedade com frequência acima da média.
  • Ambiente relacional hostil: conflitos não resolvidos, lideranças que humilham, falta de segurança psicológica para discordar ou pedir ajuda. Segundo a OMS, 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo por causa de depressão e ansiedade, a um custo de US$ 1 trilhão em produtividade.
  • Falta de sentido e reconhecimento: trabalho que não tem propósito claro, que não é reconhecido e que não oferece perspectiva de crescimento drena a energia emocional das pessoas de forma silenciosa e cumulativa.

Para equipes operacionais, esses fatores têm uma camada adicional: condições físicas de trabalho mais exigentes, turnos irregulares, menor autonomia sobre a rotina e, frequentemente, menor acesso aos benefícios de saúde que chegam com mais facilidade a quem está no escritório.


INSS · Dados Abertos do Governo Federal · 2025

Afastamentos por saúde mental em 2025

534.904 afastamentos por transtornos mentais ao longo de 2025 (janeiro a dezembro). Média mensal de 44.575 afastamentos, acima dos 39.360 por mês registrados em 2024.

30.478

38.283

40.392

52.358

63.877

42.302

38.696

48.505

48.194

45.543

45.743

40.533

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez

Média mensal: 44.575 afastamentos em 2025

Fonte: INSS — Dados Abertos do Governo Federal, 2025.

 

O que o RH precisa fazer na prática

Mapeie os riscos psicossociais da sua empresa

A NR-1 exige que as empresas incluam fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa identificar quais aspectos da organização do trabalho, relações interpessoais e ambiente estão criando risco de adoecimento.

Pesquisas de clima e de pulso são o instrumento mais direto para isso. Não como formalidade, mas como processo real de escuta com resultado comunicado e ações derivadas. O módulo de Pesquisas da Humand permite aplicar essas pesquisas pelo celular a 100% dos colaboradores, inclusive operacionais, com resultados em tempo real por área e por liderança.

Capacite as lideranças para identificar e agir

Gestores são o primeiro ponto de contato quando um colaborador começa a apresentar sinais de adoecimento. E a maioria não sabe o que fazer com essa informação.

Capacitar lideranças não significa formar psicólogos. Significa ensinar gestores a reconhecer mudanças de comportamento, a criar espaço para conversas seguras e a acionar os canais de suporte disponíveis quando necessário. Isso é treinamento, e é parte do papel do RH estruturar.

Crie condições reais, não apenas políticas

Política de saúde mental que não se traduz em mudança de rotina não muda nada. As condições que mais impactam o bem-estar no dia a dia são concretas: clareza sobre expectativas e prioridades, feedback regular, autonomia razoável sobre a própria agenda, acesso a canais de apoio quando necessário.

Um colaborador que não sabe o que a empresa espera dele, que não recebe retorno sobre seu trabalho e que não tem canal para expressar dificuldades está em risco, independentemente de quantos programas de bem-estar a empresa oferece.

Monitore indicadores antes que virem afastamento

Absenteísmo, queda de produtividade, aumento de conflitos e turnover em determinadas áreas são sinais de alerta que o RH pode monitorar sistematicamente. Com dados de pesquisas, avaliações e comunicação centralizados, é possível identificar padrões antes que virem afastamentos.

Leia também: Gestão de desempenho: tudo sobre metas, feedbacks e resultados.

Leia também: People Analytics: o que é, como aplicar e como usar dados para decisões estratégicas de RH.

 

O que isso significa para equipes operacionais

Equipes operacionais são frequentemente as mais expostas aos fatores de risco psicossocial: turnos irregulares, metas de produção sob pressão, menor autonomia, maior exposição física e menor acesso a canais de apoio. E são exatamente as que menos aparecem nos programas de saúde mental das empresas, porque esses programas geralmente foram desenhados para quem está no escritório.

Garantir que pesquisas de clima chegam ao colaborador de fábrica, que treinamentos sobre saúde mental estão disponíveis pelo celular e que os canais de suporte são acessíveis para qualquer turno são passos concretos que fazem diferença real. Não é sobre equalizar o sofrimento. É sobre garantir que o cuidado chegue a todos.

 

Perguntas frequentes sobre saúde mental no trabalho

O que são riscos psicossociais segundo a NR-1?

São fatores relacionados à organização do trabalho, ao ambiente e às relações interpessoais que podem causar danos à saúde mental dos colaboradores. Incluem sobrecarga, falta de autonomia, ambiguidade de papéis, conflitos com lideranças e ausência de suporte social. Com a atualização de 2025, as empresas são obrigadas a identificar e gerenciar esses riscos como parte do GRO.

Qual a diferença entre burnout, ansiedade e estresse no trabalho?

Estresse é uma resposta natural a demandas. Quando persistente e sem recuperação, pode evoluir para transtornos de ansiedade. Burnout é um estado de esgotamento físico e emocional causado por exposição prolongada a situações de trabalho desgastantes, caracterizado por três dimensões: exaustão, cinismo e redução da eficácia profissional. A diferença importa porque cada condição exige abordagens diferentes.

Como o RH pode identificar colaboradores em sofrimento psíquico?

Os sinais mais comuns são: mudança de comportamento, queda de desempenho, aumento de faltas, isolamento, irritabilidade frequente e comentários sobre sobrecarga ou desesperança. Pesquisas de pulso regulares e gestores capacitados para conversas seguras são os mecanismos mais eficazes de identificação precoce.

A empresa é obrigada a oferecer suporte psicológico aos colaboradores?

Com a NR-1 atualizada, as empresas são obrigadas a mapear e gerenciar riscos psicossociais. Isso não exige necessariamente um psicólogo contratado, mas exige ações concretas de prevenção e monitoramento. Para empresas com mais de 50 colaboradores, a implementação do PCMSO e do GRO com inclusão dos fatores psicossociais já é exigência legal.

 

Conclusão

Saúde mental no trabalho deixou de ser tema de campanha para se tornar indicador de gestão. Os dados de afastamento mostram que o problema é estrutural e crescente. E a NR-1 removeu a última desculpa para tratar o assunto como opcional.

O que o RH pode fazer de concreto é mais simples do que parece: escutar com frequência, capacitar lideranças para identificar e agir, criar as condições básicas para que o trabalho não adoeça, e garantir que tudo isso chegue a 100% dos colaboradores, não só a quem está no escritório.

 

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